terça-feira, 14 de junho de 2016

Espetáculo Teatral “A Visita” é convidado para temporada na Europa

Entre os dias 06 à 22 de julho, o Grupo Teatral caruaruense Arte em Cena estará realizando uma temporada na Europa a convite do Projeto FAFE CIDADE DAS ARTES, através da plataforma cultural e artística da Câmara Municipal daquele município, em Portugal. As apresentações serão no Teatro Cinema de Fafe e em circulação pelas juntas de Freguesias do Município.
Para o diretor e autor, Moncho Rodriguez, a temporada fortalece o mútuo apoio entre nações e “é de grande interesse para o público fafense e permitirá um verdadeiro encontro com a cultura do Nordeste brasileiro, acreditamos que esta será uma oportunidade para que se possa estabelecer um verdadeiro intercâmbio entre criadores e públicos.”

O grupo já se apresentou em diversas cidades como: Caruaru, Arcoverde, Recife, Bom Conselho, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns, Palmares, Bezerros, Gravatá, Pesqueira, Belo Jardim e Petrolina, no Estado de Pernambuco, e Feira de Santana/BA, São Gonçalo dos Campos/BA, João Pessoa/PB, Campina Grande/PB, São José do Rio Preto/SP, Piracicaba/SP, São Mateus/ES, Guaramiranga/CE, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP e Valongo cidade do Porto em Portugal.

Sinopse

Ao visitar o local que fez parte de sua infância, Antônio depara-se com um deserto de gente e de bicho. Homens que são meio gente, meio barro feito as casas - e meio bicho... Na mais absoluta solidão, busca na memória recriar fatos de seu passado. Através de relatos sobre a família, a política e sentimentos seus, tocando ainda em temas como sexualidade, amizade e afetos, ele tenta encher de vida o vazio do lugar e do seu coração. A peça celebra os quase trinta anos de atuação deste coletivo no município  de Caruaru/Pernambuco.

Ficha Técnica
Texto: Moncho Rodriguez
Ator: Severino Florêncio
Direção/Figurino/Adereços: Nildo Garbo
Mapa de Luz: Edu de Oliveira
Execução de Adereços: Naldo Fernandes
Execução de Figurino: Iva Araújo
Cenotécnico: Arnaldo Honorato
Fotografias: Marcos Nascimento
Design Gráfico: Moacir Silva
Produção: Severino Florêncio.

Direção
O diretor/encenador do espetáculo, Nildo Garbo, optou por trilhar os caminhos do construtivismo para a realização de sua encenação. Que teve como ponto de partida o texto de Moncho Rodriguez e da concepção e composição do trabalho do ator. E a partir destes elementos passou a desenhar a geografia cênica do espetáculo, que além da luz, se utiliza de poucos recursos técnicos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Crítica – A Visita | Inconformismo marca encenação rapsódica do Arte-Em-Cena

Imagens – Marcos Nascimento

Por Vinícius Vieira

Jornalista, Ator e Professor

O Teatro Capiba vestiu-se de lembranças nesta terça (12) e quarta (13), com o espetáculo A Visita, do grupo Arte-Em-Cena, de Caruaru. As memórias eram da personagem António que, ao trazer à tona ritos, canções e a complexa simplicidade da vida interiorana, convocou o público para um lugar de saudade, erigido sob o imaginário do  homem sertanejo nordestino, embora com ecos de amplitude universal.  Para construir uma linha dialógica de regresso, a encenação privilegiou a palavra.

O discurso proferido no espetáculo nos fala sobre a impossibilidade de estarmos sós. Como seres sociais, temos a tendência de buscar o outro, ainda que esse alguém esteja acessível apenas pela materialidade onírica. É nesse sentido que António, defendido pelo ator Severino Florêncio, se move em cena, mostrando-nos, nesse processo, múltiplos tempos e espaços de seu interior, um passado longínquo, agora, inabitado. A direção de Nildo Garbo – também responsável pelos figurinos, adereço e maquiagem -, coloca o ator como um rapsodo em uma interpretação anti-ilusionista, valendo-se da utilização de diversos recursos para a reconstituição de situações já ocorridas. Também há uma intertextualidade dos modelos épico e dramático para conceber a estrutura narrativa posta em cena.

António nos apresenta as figuras preciosas da sua vida e costumes que parecem não mais fazer sentido em tempos pós-modernos. Para realizar essa dinâmica, o intérprete dialoga com figuras imaginárias.  O artista nos mostrou potencialidade nas várias nuances, inflexões, entonações durante as conversas inscritas entre o presente e  o passado. No entanto, alguns registros vocais poderiam receber maior cuidado pois dificultaram a dicção e, consequentemente, a  compreensão do que foi dito. Os elementos cenográficos, um trilho que corta o palco de um canto a outro, uma cruz à esquerda, uma peneira, um pilão e uma pequena mesa no centro com uma sanfona em cima, além de outros materiais espalhados no chão, eram vestígios sígnicos os quais deveriam ser completados pelo público com uso da imaginação. Os objetos foram manipulados pelo ator, mudaram de lugar e, por vezes, adquiriram novos sentidos.

A teatralidade foi bastante explorada: uma colcha florida transformou-se em lona de circo e a junção da cruz com três aros de bicicleta formou um projetor a rodar um filme na “máquina de fazer gente”: o cinema. Tudo composto de uma simplicidade encantadora. Entretanto, adaptar a cenografia ao palco do Capiba tornou estranha a localização do trem, que precisou ser colocado no fundo da cena, ficando longe dos trilhos e dificultando a marcação criada. O figurino, um sobretudo e uma calça cinza, mostrou-se funcional e se desfez, nas mangas, para revelar a condição de Antônio, que também se perde sem as suas referências (seu pai, irmãos, primos… E até a tia Maria). Esse traje deu lugar a outro, dessa vez, um avental. Nesse momento, os papéis de gênero são postos em questão ao revelar as performances femininas e masculinas como sociais, sem naturalizá-las. Abordar essa temática é emergente para que possamos desconstruir discursos balizadores das práticas de violência contra aqueles e aquelas que – assim como a personagem central da obra – não seguem o padrão ou, como o próprio António enfatiza, “não segue a boiada”.

A montagem também dialoga com as angústias promovidas pelo impacto da globalização na vida do sujeito, no qual perde suas referências locais e tem as suas necessidades pessoais superadas pela lógica capitalista. Talvez a personagem seja o alter ego do espanhol Moncho Rodrigues,  que assina a dramaturgia da peça. Cidadão do mundo, Rodrigues externa por meio de António um mal estar decorrente de uma identidade fragmentada pela ordem provisória, instável das coisas. Ele escreve como quem sente na pele os dissabores e os amores de fincar os pés no entrelugar. Ao encenar A visita, o grupo Arte-Em-Cena faz um teatro com sede de compreender as apreensões do nosso tempo e não apenas com finalidade comercial. É uma necessidade irrefreável de evidenciar o inconformismo perante as dinâmicas de poder vigente.

Seria essa interação, essa vontade de intervir no mundo, provocar um estalo no espectador, que faz um coletivo perdurar por longos anos? Sem dúvida, o espetáculo foi uma escolha assertiva para comemorar os quase 30 anos de atividade da companhia no município de Caruaru, interior Pernambucano.

http://4parede.com/

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um ano de realizações. Que venha 2016!

Ao chegar ao término de mais um ano, é salutar uma retrospectiva, pois através dela podemos verificar aquilo que foi produtivo, bem como os aspectos que necessitam de aprimoramento em nossa trajetória de vida. 
Entendo claramente que, apesar de muitos acertos, não somos perfeitos, carecemos sempre de aperfeiçoamento. 
O ano de 2015 foi um ano de muitos desafios e também realizações.
Durante a Semana Santa atuei na Paixão de Cristo da Nova Jerusalém, interpretando o discípulo Mateus.
Já em abril a montagem de “A Visita” me trouxe de volta aos palcos. Um texto do encenador e dramaturgo Moncho Rodriguez encenado pelo Grupo de Teatro Arte-Em-Cena, trazendo Nildo Garbo como Encenador, Figurino, Adereços, Edu de Oliveira na iluminação, Moacir Severino no Design Gráfico.
Após a estreia, fizemos uma temporada de apresentações até agosto no Teatro Rui Limeira rosal, SESC Caruaru.
Ainda no primeiro semestre, foi aprovado por unanimidade pelos edis na Câmara Municipal de Caruaru o Título de Cidadão Caruaruense, propositura do vereador Jaelcio Tenório (PRB), que em breve estarei recebendo.
Ainda na área teatral promovemos o intercâmbio Brasil x Portugal, quando o Arte-em-Cena e FAFE Cidade das Artes, com apoio da Prefeitura Municipal de Caruaru, através da Fundação de Cultura e Turismo, realizamos apresentações com dos espetáculos BULULU-Estórias da invenção do mundo, Pássaro de Papel e LAUDAMUCO SENHOR DE NENHURES, todos do autor e encenador Moncho Rodriguez.
Teve ainda minha atuação no elenco de "A Mulher e o Mandacaru", longa realizado por Simião Martiniano, em 1996, foi adaptado por Rafael Coelho para a série Simião Remake. O elenco do remake conta com os atores como Carlos Lira, Monica Vilarim, Ana Claudia Wanguestel, Manuel Carlos, Maurício Evanns, José Manoel, Lucas Neves, Eron Villar, Leo Bouças, João Ferreira, Ligia Wanguestel, Severino Florêncio, Bia Lisboa e a participação de Simião Martiniano.
Atuei também no "Minha Geladeira Pensa que é um Freezer", que recebeu Prêmio Verouvindo de produção de audiodescrição e Melhor Roteiro no 17º FESTCINE - Festival de Curtas de Pernambuco.

O ano termina mas a vida e o trabalho continua, em janeiro voltamos a apresentar "A Visita" no Projeto Janeiro de Grandes Espetáculos e, no mesmo ano a temporada internacional com apresentações em Portugal.
O Arte em Cena acredita que o amanhã sempre pode ser melhor, cremos nisso pelo que já semeamos no passado e por tudo o que já colhemos até hoje.
Feliz ano novo à todos!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Severino receberá justa homenagem - coluna Cultura e Cidadania

O site do Jornal de Caruaru publicou na terça, 03 de novembro, na coluna semanal Cultura & Cidadania, o informe sobre o Título de Cidadão que o ator Severino Florêncio receberá ainda em novembro deste ano.

A propositura é do vereador Jaelcio Tenório.

Veja na íntegra a notícia:

Já são quase quatro décadas em que o ator Severino Florêncio atua nas artes cênicas no município. Florêncio receberá, como propositura do vereador Jaelcio Tenório, o título de Cidadão de Caruaru, na Câmara Municipal.

Severino em atuação no espetáculo "A Visita"

Entre os mais respeitados artistas do teatro caruaruense, seja como diretor, produtor, ator ou dedicando-se nos segmentos culturais do SESC ou nos mais diversos movimentos culturais, guarda consigo prêmios e reconhecimentos e mais este será mais que justo.

Severino contribui também em cargos administrativos no município. Já esteve como diretor da Casa de Cultura, da Diretoria de Cultura e presidiu também a Fundação de Cultura e Turismo.

É natural do sítio Serra de Aires, em Bezerros e veio sozinho para Caruaru ainda adolescente. Estudou e trabalhou no comércio. Já na década de 70 participou do grupo jovem da Igreja do Rosário, depois foi convidado por Jô Albuquerque, atual presidente da Associação dos Artistas, para integrar o grupo de teatro do TEA. Sua primeira atuação acontece no espetáculo “Festa de Casamento”.

Foi convidado para dar uma oficina no SESC, em maio de 1980, tornando-se profissional da casa até hoje. Neste mesmo período criou o Grupo de Teatro do Sesc, que revelou grandes talentos do nosso teatro, a exemplo de Prazeres Barbosa e Maria Alves, e arrematou prêmios nos principais festivais brasileiros de teatro.

Fundou o Grupo Arte-em-Cena em 1987 produzindo grandes espetáculos como: “Quinze anos depois”, “Avatar”, “Dorotéia vai à guerra”, “Deus danado” e agora “A Visita”. Deus Danado já está em DVD. Tem nas telonas participação nos filmes “As videntes de Cimbres”, “A cidade de quatro torres” e “O cangaceiro” e “Ferrolho”. Integra o elenco da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém há 18 anos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015